Uma varanda num dia de Abril
sábado, 9 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Barcelona
Foram só três diazinhos, mas deu para ficar com uma boa ideia da cidade. Claro que ía já com algumas ideias feitas sobre Barcelona. Tal como eu pensava e me tinham dito La Rambla é efervescente de vida e animação, as obras de Gaudí são verdadeiramente impressionantes e os espanhóis vivem bem mais tarde do que nós: as lojas só abrem às 10h e as esplanadas estão cheias pela noite dentro. E também pude confirmar que, definitivamente, a crise por lá não é tão forte como por aqui.
Ora o senhor Antoni Gaudí foi realmente um homem à frente do seu tempo. As suas obras são ainda hoje surpreendentes e arrojadas. A fachada da Natividade da Basílica da Sagrada Família é de deixar o queixo caído (imagem central e canto inferior esquerdo da colagem). A Casa Batlló é deslumbrante (pormenor no canto superior direito) e a Casa Milà (fachada no canto superior esquerdo) parece ainda hoje um edifício futurista. O Parque Güell, banhado pelo sol, é uma visão única de cor e animação.
| Obras de Gaudí |
Ora o senhor Antoni Gaudí foi realmente um homem à frente do seu tempo. As suas obras são ainda hoje surpreendentes e arrojadas. A fachada da Natividade da Basílica da Sagrada Família é de deixar o queixo caído (imagem central e canto inferior esquerdo da colagem). A Casa Batlló é deslumbrante (pormenor no canto superior direito) e a Casa Milà (fachada no canto superior esquerdo) parece ainda hoje um edifício futurista. O Parque Güell, banhado pelo sol, é uma visão única de cor e animação.
| Sagrada Família - Prevê-se a conclusão em 2020 |
Já outros aspectos da cidade foram uma surpresa. Desconhecia o Bairro Gótico, o bairro mais antigo da cidade e não estava preparada para a sua beleza. Ruas estreitas, comércio tradicional, mercados de rua, pintores a mostrar a sua arte, igrejas lindíssimas e pequenas jóias arquitectónicas como a da foto a baixo.
| À entrada do Bairro Gótico, junto à Catedral de Barcelona |
| Pormenor da Catedral de Barcelona |
| Mercado em frente à Igreja de Santa Maria del Pi |
| "A visão do Mediterrâneo constitui para mim uma necessidade", Antoni Gaudí |
| Levantando os olhos da placa, o que vemos |
Mas o que mais me impressionou em Barcelona foi a riqueza e a originalidade da arquitectura das Avingudas (avenidas) e Ramblas da cidade.
Não vi um único prédio abandonado em Barcelona, vi muitos a serem restaurados; mágoa de lisboeta que vê a sua cidade tão maltratada.
Mas voltando a Barcelona, gostei muito. Foi pouco tempo por isso espero voltar um dia com mais tempo (e mais dinheiro) para aproveitar a cidade ao máximo.
quarta-feira, 23 de março de 2011
En els propers dies...
vaig a ser aquí.*
Na cidade de Gaudí e de Miró. Perto do Mediterrâneo. A descansar a cabeça e a esquecer as coisas que me chateiam por cá.
Volto em breve com novidades e muitas fotos.
*Tradução: nos próximos dias vou estar aqui. Acabei de descobrir que o Catalão é uma língua muito gira!
quinta-feira, 17 de março de 2011
Post deprê
Lido aqui:
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Onde passo muitos finais de tarde. O meu Tejo, o meu grande lago, o rio que me acalma e me dá energia.
Eu amo todas as flores brancas. Transmitem-me paz e tranquilidade. Quando de manhã vou espreitar à varanda, estes malmequeres animam-me, principalmente se estiverem banhados pela luz do sol. Alimento-me de sol, de água (mar, rio) e de flores. E assim vou tentando não morrer lentamente.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Já perdi a conta de quantas vezes me queixei aqui do meu trabalho. De quantas vezes já disse que odiava cada momento que passo de volta das malditas contas, dos balancetes, das reconciliações bancárias. Também já perdi a conta das vezes que, sem sucesso, tentei "virar a mesa". Ou talvez não tenha tentado o suficiente. Talvez as minhas tentativas de mudar sejam na realidade um pouco frouxas, sem ânimo, sem garra.
Não sei.
Mais de metade dos meus colegas de turma da faculdade estão, tal como eu, a trabalhar noutras áreas que não a tradução. Sei de turmas inteiras em que ninguém conseguiu trabalhar na área. Com estes dados desisto e tento convencer-me que terei que viver para sempre na frustração de um trabalho que não me preenche e ainda por cima me faz infeliz. Com o país mergulhado numa crise como há muito não se via, fica mais difícil para quem tem pouca coragem como eu, largar tudo e correr à procura do sonho.
Às vezes sinto-me mesmo a morrer lentamente. Esta semana tem sido especialmente dura. A minha inata incapacidade para os números está à flor da pele, logo quando tinha que estar bem enterrada e mascarada de uma vontade de ferro de conseguir vencê-los, os malditos números.
A única coisa que me anima são umas mini-férias no horizonte com uma escapadinha ao país vizinho. Até lá tenho que me ir aguentando.
A única coisa que me anima são umas mini-férias no horizonte com uma escapadinha ao país vizinho. Até lá tenho que me ir aguentando.
| Cais do Sodré - Tejo e margem sul |
| A Primavera na minha varanda |
sábado, 12 de março de 2011
Lições do passado e do presente
| Igreja de S. Domingos |
Se há aspectos da nossa história dos quais nos podemos envergonhar como povo, são sem dúvida o nosso papel no comércio de escravos e a Inquisição. Todos os povos têm os seus esqueletos no armário, sobretudo aqueles com uma história que já vai tão longa como a nossa, e é raro o país que não tem contas a acertar com o passado. Não fomos certamente o único povo a participar no comércio de escravos, nem a ter um Tribunal da Inquisição.
Mas acho que uma coisa que pode e deve ser feita é pedir perdão e lembrar os acontecimentos para que jamais sejam esquecidos. Claro que o que está feito, está feito, ainda para mais quando foi feito há quinhentos anos atrás, mas o acto de pedir perdão traz consigo paz, conciliação e amizade entre os povos e isso nunca é demais. A história não muda por se pedir perdão pelos actos realizados, mas lembrar e reconhecer o erro é uma homenagem aos povos atingidos.
É por isso que sempre que passo no largo de S. Domingos descanso os olhos nos monumentos que assinalam a perseguição e morte de judeus que decorreu em Lisboa no século XVI a mando do Tribunal da Inquisição. É bom nunca esquecer.
Uma das ironias com qua a história nos brinda é que hoje este largo, antes palco de intolerância levada ao extremo, é o local escolhido para a comunidade africana de Lisboa se reunir e se encontrar. Hoje o largo de S. Domingos, com os seus pedidos de perdão e os seus cidadãos africanos é a prova de que o Lisboa é uma cidade tolerante, aberta à diversidade e que ultrapassou os traumas causados pelos erros do passado.
E porque não também um monumento às centenas de escravos roubados a África? Acho que seria mais um passo importante neste acertar de contas com a história que todos os povos devem fazer. E a grande comunidade africana e/ou de origem africana lisboeta já merecia.
segunda-feira, 7 de março de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Dois filmes
Sou fã incondicional de Clint Eastwood e apesar da temática de Hereafter - Outra Vida não me ser muito apelativa, fui ver porque tinha fé que sendo do Clint seria imperdível, mas lamentavelmente não achei nada imperdível. É um filme bem feito e filmado com bom gosto como sempre, mas não me convenceu. O tema da vida depois da morte não é definitivamente "a minha praia". O que mais me sensibilizou foi a história dos dois meninos gémeos e da sua mãe toxicodependente, grandes interpretações dos três actores.
Saí do cinema sem saber muito bem o que pensar, com aquele gostinho de queria mais e esperava mais de Eastwood, mas nem mesmo um realizador de excepção como ele pode agradar sempre a uma cinéfila tão exigente como eu... just kiding :)
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| Os actores Frankie McLaren e George McLaren |
Saí do cinema sem saber muito bem o que pensar, com aquele gostinho de queria mais e esperava mais de Eastwood, mas nem mesmo um realizador de excepção como ele pode agradar sempre a uma cinéfila tão exigente como eu... just kiding :)
Também vi O Discurso do Rei de Tom Hooper, com Colin Firth e Geoffrey Rush em grandes interpretações. O filme é muito giro e está muito bem feito. Alia factos históricos de Inglaterra e da Europa a uma bela história de amizade entre dois homens muito diferentes, mas que aprendem a respeitar-se mutuamente. O rei Jorge VI era gago e tinha muitas dificuldades em fazer os discursos tão necessários à sua posição. Lionel Logue, um australiano "do povo" que se recusa a dirigir-se ao rei como your majesty ou sir e simplesmente o chama de Bertie, vai levá-lo a questionar as causas da sua gaguez e tratar tanto os seus problemas mecânicos da gaguez como as inseguranças por trás deles. Ao mesmo tempo torna-se o melhor amigo do rei.
Colin está cada vez melhor, está a tornar-se um excelente actor. Geoffrey Rush já há muito tempo que é um grande actor, aqui só o confirma.
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