Mostrar mensagens com a etiqueta Tradução. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tradução. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de junho de 2009

A Saúde no Séc. XIX

Estou atarefadíssima a terminar uma tradução com um deadline muito apertado - a próxima sexta-feira. Por isso não tenho postado, nem visitado os vossos blogues como queria, mas o dever fala mais alto!

Este último texto que estou a traduzir é bastante interessante, mostrando uma perspectiva histórica da saúde e como esta era vista ao longo dos tempos. Fiquem com este bocadinho:

"Para explicar porque a cólera tinha atacado os pobres, os médicos do início do século XIX afirmavam que a cólera podia apenas atacar indivíduos que tinham enfraquecido os seus corpos vivendo uma vida imprópria (Rosenberg, 1987). De acordo com esta teoria, os pobres causavam as suas próprias doenças, primeiro porque não tinham a iniciativa necessária para escapar à pobreza e depois por escolherem comer uma dieta pouco saudável, viver sem condições de higiene ou beber demasiado álcool. Assim, por exemplo, o Conselho Médico da Cidade de Nova Iorque concluíu em 1832 que “a doença na cidade está confinada aos imprudentes, aos intemperados e aos que se prejudicam a si próprios tomando medicamentos impróprios” (Risse, 1988).

Interessante, não acham? Bem, interessante ou não, tenho que voltar para ele.

Bye, bye e fiquem bem.
Adenda:

Enquanto trabalho tenho sempre ao pé de mim, isto:
E mais isto:
O chocolate faz activar o cérebro!!! Será desta que eu engordo uns quilinhos?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Guerras de alecrim e...rosmaninho

Que confusão que vai nas traduções televisivas entre alecrim e rosmaninho. No programa do Jamie Oliver que dá na Sic Mulher, aquele em que ele vai directamente à sua horta buscar os legumes e as ervas aromáticas, traduzem alecrim por rosmaninho, quando não tem nada a ver uma coisa com a outra. Já estou a ver as mulheres portuguesas a pôr rosmaninho nos seus cozinhados só porque o Oliver põe!!!! PÁRA TUDO... corrigindo o preconceito... as mulheres e os homens portugueses, CLARO. (O preconceito é terrível, às vezes nem damos por ele!)
Pois é, eu gosto muito do programa, mas não gosto nada desta tradução. Então para esclarecer esta dúvida aqui estão as duas espécies:

Alecrim em flor
Alecrim

O alecrim é muito utilizado na culinária mediterrânica e é esta erva que o Oliver utiliza nos seus cozinhados.

Flor de rosmaninho

Rosmaninho

O rosmaninho, aqui em Portugal é tradicionalmente associado às procissões. Aqui em Lisboa, na Procissão de Nossa Sra da Saúde, vêm carros cheios de rosmaninho para dar às populações. E é assim em muitas aldeias por este país fora. É também uma erva tradicionalmente utilizada para perfumar as gavetas. Fazem-se saquinhos com rosmaninho, tal como se fazem com alfazema, para pôr nas gavetas. Agora, na culinária, que eu saiba, não se utiliza.

E mesmo que se utilize, quando o Oliver diz para pôr rosemary na comida o que ele quer dizer é alecrim e não rosmaninho.

Felizmente são duas plantas abundantes na natureza no nosso país e eu tenho um vasinho de alecrim na minha varanda e sirvo-me dele de vez em quando. Principalmente depois que descobri que faz muito bem à memória e ao funcionamento do cérebro em geral. É que eu estou mesmo a precisar!

Nota: O título remete para a peça de Gil Vicente " Guerras de Alecrim e Manjerona".

sábado, 9 de maio de 2009

Pedi tanto, mas tanto...

... que os textos que estou a traduzir finalmente começaram a ficar interessantes. Assim, trabalho com mais prazer, mais ânimo, coisa que me tem faltado um pouco ultimamente. Querem ver o que eu ando a traduzir? Não? Fica aqui um excerto na mesma:

"No relato ficcional de Kingsolver (1998) de como uma rapariga americana vê o corpo dos congoleses, vislumbramos como estes processos ocorrem através das nossas interacções sociais da vida quotidiana.
Ruth May, a personagem de Kingsolver é a jovem filha de um missionário americano que leva a sua família inteira para África nos anos 60. Recentemente chegada à cidade de Kilanga, Ruth May repara em como a sua vizinha que perdeu as pernas num incêndio continua a procurar o seu marido e os seus setes filhos e diz: “ninguém pestaneja quando ela corre com as suas mãos no chão em direcção ao rio para lavar as suas roupas”. A própria Ruth May tem uma irmã deficiente, mas esta menina apenas atrai curiosidade devido ao seu tom de pele, não ao seu corpo diferente:

“Ninguém se interessa que ela tenha um lado do corpo diferente, porque todos têm um filho deficiente ou uma mãe sem um pé, ou alguém na família sem olhos. Quando olhamos para a rua, lá vai alguém a quem falta uma parte do corpo e sem o mínimo embaraço com isso."

Os seus cabelos louros e os seus rostos vermelhos violentamente queimados pelo sol, tornam as duas irmãs um foco de atenção para as crianças e adultos da cidade, e são elas que são transformadas em “aberrações da natureza”. Assim, Ruth May percebe que as suas usuais objectivações do corpo já não fazem sentido neste contexto, e é a sua mãe que sublinha porquê:

“aqui eles têm que usar os seus corpos como nós temos que usar as coisas lá na nossa terra – como roupas ou ferramentas de jardim, ou qualquer outra coisa. Quando nós estaríamos a gastar os joelhos das nossas calças, eles têm que gastar os seus joelhos”.

Em harmonia com a sua diferença incorporada, as duas irmãs apercebem-se através destas interacções, do valor social e cultural que determinados tipos de corpos representam em termos de identidade; e elas também percebem o estigma que os corpos que se desviam dos tipos de objectivações centrais no pensamento e na prática ocidental atraem."

Se por acaso não acharam este excerto minimamente interessante, pensem em como deveriam ser os outros textos que eu traduzi até aqui! Estejam à vontade para fazerem a revisão da minha tradução, corrigindo um ou outro pormenor, kkkkkkk...

terça-feira, 5 de maio de 2009

A moka e a tradução

Estou a fazer a tradução dum texto chatíssimo. Mas tão chato, tão chato, que eu não consigo fazer mais de uma página por dia e mesmo assim fico com a cabeça esgotada. É um texto muito abstracto e intrincado e ainda para mais sobre um tema que não me fascina. Tenho que ler as frases quatro ou cinco vezes para conseguir compreendê-las e depois tentar dizer quase a mesma coisa em português.
Então o que nos alegra nestes momentos chatinhos? Uns bolinhos de moka, claro. A mistura do café e do chocolate é uma excelente ideia. Quem terá tido essa ideia primeiro? No domingo resolvi ir para a cozinha, para esquecer the sociological theory of embodiment. Fui fazer uns bolinhos de moka que saíram um bocadinho anõezinhos, mas ficaram muito saborosos e sempre vão alegrando o meu trabalho. A receita é da colecção Le Cordon Bleu.
Fiquem bem, enquanto eu vou tentar descobrir o significado duma frase que já li quatro vezes, mas ainda não consegui compreender!!!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Adoro tradução mas às vezes põe-me doida

Ando "assoberbada" com tanto trabalho. Chego a casa cansada de um dia de trabalho e ainda tenho que me agarrar à tradução que estou a fazer sobre a doença crónica e a fisioterapia. O tema é até muito interessante e eu gosto sempre de aprender algo com os textos que estou a traduzir, mas neste momento já não posso ver os termos impairment, disability e handicap à minha frente. Então quando me pedem para arranjar diferentes traduções para os termos illness, disease e sickness eu fico capaz de matar alguém!
Depois dizem que os tradutores têm uma imaginação muito fértil! Se não tivermos imaginação, como vamos arranjar boas traduções para três palavras inglesas que significam exactamente a mesma coisa? E agora? Vou dizer: "temos que distinguir entre doença, doença e doença"?!!! Ou entre doença, mau estar e enfermidade?!!!! Será que posso enfiar a falta de saúde lá para o meio?!!!!!! Ai que eu vou ficar maluca!

Bem, como diz o Umberto Eco, traduzir é dizer quase a mesma coisa. E é isso que eu tento fazer. Mas às vezes fico com os cabelos em pé a tentar dizer quase a mesma coisa!


Para desanuviar a cabeça de tudo isto, vim até aqui postar umas florzinhas que tenho cá por casa. Como dá para reparar, as flores do Alentejo, vieram alegrar a minha casa de Lisboa. Eu adoro ter flores espalhadas pela casa. Fico logo mais animada, só de olhar para elas.

Pronto, já arejei a cabeça, agora vou voltar para a minha tradução, vou fazer a revisão final com o cérebro mais fresquinho!

sábado, 6 de setembro de 2008

O amor

Como me interesso por tradução, tenho sempre a curiosidade de ver o título original dos filmes e quase sempre apanho um susto com a versão portuguesa. Os títulos nem sempre são da responsabilidade do tradutor do filme, mas sim do distribuidor que pretende vender o filme e chamar o público com títulos sonantes. É aqui que entra o amor. A quantidade de filmes que não têm a palavra amor no título original e têm na versão portuguesa é enorme. Por exemplo:
Lost in translation - O Amor é um Lugar Estranho
Prime - Terapia do Amor
In my country - Um Amor em África

Estes são apenas alguns exemplos. Vi recentemente este último e acho que o amor que surge entre os protagonistas é apenas um pequeno detalhe no filme que, na realidade, é sobre o período de reconciliação nacional pós-Apartheid na África do Sul e sobre como tanto os brancos como os negros sentem o país como sendo a sua terra. Um Amor em África não capta de maneira nenhuma a essência do filme como faz o título original. Pelos vistos, em Portugal, o amor vende.