quarta-feira, 6 de agosto de 2008

As Igrejas do Chiado

Quando viajamos para o estrangeiro queremos visitar todos os monumentos e museus. Não queremos perder nada e valorizamos o património maravilhoso que outros países têm para nos oferecer. Entramos em todas as igrejas (mesmo que às vezes seja preciso pagar bem caro para isso) e ficamos maravilhados com a arquitectura religiosa de outras épocas. Tudo isto é muito natural, o que é estranho é que por vezes não conhecemos o nosso próprio património. Tenho que confessar que apesar de ter nascido e viver há 33 anos em Lisboa, não conhecia três das grandes igrejas da zona do Chiado. Um destes dias de férias, tendo cancelado um programa de praia à última hora, levantei-me com vontade de passear na minha cidade e ver coisas que nunca vi. Comecei pela Igreja de S. Roque, um expoente máximo do Barroco Português, que muitos já me tinham dito ser uma visita imperdível. As fotografias não deixam ver a riqueza de detalhes típica do Barroco, mas já dá para ter uma ideia.


Descendo para o Chiado temos duas magníficas igrejas onde também nunca tinha entrado, apesar de ter passado ali mais de mil vezes em toda a minha vida. Primeiro a Igreja dos Italianos de Nossa Senhora do Loreto, da qual só tirei uma foto do exterior porque o interior estava fracamente iluminado.
Logo em frente, a Igreja da Encarnação, linda por dentro e por fora como podem ver pelas fotos seguintes.


Por fim a Basílica dos Mártires, onde já tinha entrado muitas vezes, mas entrei mais uma vez para meditar na paz deste magnífico templo.

Como vêem as fotos são de fraca qualidade pois foram tiradas com o telemóvel. Não consegui captar nenhuma fachada por inteiro, mas mesmo assim resolvi fazer o post, porque adorei este meu périplo por algumas das muitas igrejas da minha cidade.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sábado na zona Oeste II


Depois rumamos a Santa Cruz. O tempo, para não variar, começou a ficar nublado assim que nos aproximamos da praia.

A água, também para não variar, estava um bocadito fria, mas isso não estraga a beleza desta praia que é uma das minha preferidas.
Depois do delicioso almoço no restaurante O Coelho, também ali para aquelas bandas, fomos a casa da Lena, em São Pedro da Cadeira e aproveitamos para brincar com os seus animais, o cão Zico e o gato Juca, que infelizmente me esqueci de fotografar, tão embevecida estava com os dois.
O final da tarde passou-se em São Lourenço, de onde não apetecia sair, mas o sol já quase se escondia. No caminho de volta ouvimos a melhor frase do dia, aquela que nos enche o coração de alegria. A Carol disse: "Hoje foi o dia mais feliz da minha vida". Claro que ela já o disse outras vezes e esperemos que diga muitas mais, mas sabe sempre bem ouvir. E não é que foi mesmo um dia feliz!

Sábado na zona Oeste I






Este post já vai um pouco atrasado mas nunca é tarde para recordar um dia feliz. Sábado 19, rumamos a Oeste logo pela manhã. Primeiro, um belo passeio pela simpática cidade de Torres Vedras. Na igreja que aparece nas três primeiras fotos estava a decorrer um casamento. Ainda vimos chegar a noiva, que por acaso estava muito elegante, mas decidimos não tirar foto para não devassar a sua privacidade, uma vez que seria vista pelos milhões de leitores do meu blog!

A foto da outra igreja foi tirada em andamento da janela do carro. Só com ajuda divina poderia ficar tão nítida!

Dom Casmurro

Voltando a Dom Casmurro, vou mostrar só mais um bocadinho da deliciosa prosa de Assis e do amor adolescente de Bento e Capitu:

"-Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, "olhos de cigana oblíqua e dissimulada". Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. (...) Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles ollhos de Capitu. (...) Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me."


Depois... depois muito mais vai acontecer na vida destes dois.


Quem não leu o livro, leia. Ler um bom livro enriquece a nossa visão do mundo, da vida e das pessoas.


Quem já leu sabe que esta é a versão de Bento dos acontecimentos, como seria a de Capitu? Isso ficará sempre no segredo dos deuses...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Dom Casmurro

Escolhi falar um pouco sobre Dom Casmurro por várias razões. Primeiro porque, quando li, adorei a surpresa do português do séc. XIX ser tão semelhante no Brasil e em Portugal. O português de Machado de Assis fez-me lembrar muito o de Eça de Queirós. Claro que já existiam diferenças, mas as variantes da língua ainda não se tinham afastado tanto. Depois, acho a escrita de Assis muito mimosa, linda, encantadora. E por fim, acho que é uma história tão simples e que ao mesmo tempo mostra tanto do ser humano e dos seus sentimentos. Aqui vai um pouquinho da história:
Bento e Capitu se encantam um pelo o outro nos apaixonados anos da adolescência. A amizade de infância cresce e muda.
" Dei um pulo, e antes que ela raspasse o muro, li estes dois nomes, abertos ao prego e assim dispostos:
Bento
Capitolina
Voltei-me para ela; Capitu tinha os olhos no chão. Ergueu-os logo, devagar, e ficamos a olhar um para o outro... Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade, não falamos nada; o muro falou por nós. Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se."
Mas havia um problema, a mãe de Bento tinha perdido o primeiro filho e fez a promessa que se o segundo filho vingasse, entraria na Igreja. Bento não tinha qualquer vocação religiosa e tinha esperança de que a promessa tivesse sido esquecida.
"Ultimamente não me falavam já do seminário, a tal ponto que eu supunha ser negócio findo. Quinze anos, não havendo vocação, pediam antes o seminário do mundo que o de São José."
E mais não digo. Por hoje fico por aqui. Espero que quem não tenha lido o livro fique já com alguma vontade de o ler.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Vergonha


No espaço de dois dias já tomei conhecimento de dois abandonos de animais. O animal que se cuidou, que se alimentou, que conviveu com as pessoas todos os dias do resto do ano, simplesmente é abandonado, porque é altura de férias. Como? Como é que é possível?

sábado, 12 de julho de 2008

Lisboa: um bom exemplo II

O jardim de São Pedro de Alcântara estava em obras há imenso tempo, acho mesmo que alguns anos. Finalmente as obras terminaram e os lisboetas têm de volta um jardim com uma das melhores vistas da cidade. Visitei-o agora pela primeira vez depois das obras, voltando assim a um dos meus lugares preferidos da cidade, onde muitas vezes "parei" na adolescência.
Uma das melhores surpresas desta visita foi o restauro da parte inferior do jardim, à qual anteriormente não tínhamos acesso.
Todos os lisboetas conhecem o estado de abandono de alguns jardins da cidade: pouca limpeza e falta de manutenção. Este, por enquanto, está impecavelmente limpo e bem tratado. Espero que seja para durar e que daqui a alguns meses não esteja sujo e abandonado como outros. É nesta cidade de jardins limpos e floridos que quero viver. Um jardim com casais de namorados de todas as idades, famílias inteiras a passear e leitores solitários que de vez em quando levantam a cabeça do livro para apreciar a paisagem.