sábado, 12 de março de 2011

Lições do passado e do presente

Igreja de S. Domingos

Se há aspectos da nossa história dos quais nos podemos envergonhar como povo, são sem dúvida o nosso papel no comércio de escravos e a Inquisição. Todos os povos têm os seus esqueletos no armário, sobretudo aqueles com uma história que já vai tão longa como a nossa, e é raro o país que não tem contas a acertar com o passado. Não fomos certamente o único povo a participar no comércio de escravos, nem a ter um Tribunal da Inquisição.


Mas acho que uma coisa que pode e deve ser feita é pedir perdão e lembrar os acontecimentos para que jamais sejam esquecidos. Claro que o que está feito, está feito, ainda para mais quando foi feito há quinhentos anos atrás, mas o acto de pedir perdão traz consigo paz, conciliação e amizade entre os povos e isso nunca é demais. A história não muda por se pedir perdão pelos actos realizados, mas lembrar e reconhecer o erro é uma homenagem aos povos atingidos.


É por isso que sempre que passo no largo de S. Domingos descanso os olhos nos monumentos que assinalam a perseguição e morte de judeus que decorreu em Lisboa no século XVI a mando do Tribunal da Inquisição. É bom nunca esquecer.


Uma das ironias com qua a história nos brinda é que hoje este largo, antes palco de intolerância levada ao extremo, é o local escolhido para a comunidade africana de Lisboa se reunir e se encontrar. Hoje o largo de S. Domingos, com os seus pedidos de perdão e os seus cidadãos africanos é a prova de que o Lisboa é uma cidade tolerante, aberta à diversidade e que ultrapassou os traumas causados pelos erros do passado.


E porque não também um monumento às centenas de escravos roubados a África? Acho que seria mais um passo importante neste acertar de contas com a história que todos os povos devem fazer. E a grande comunidade africana e/ou de origem africana lisboeta já merecia.

1 comentário:

Cláudia M. disse...

A intolerância é das piores doenças da Humanidade, seja ela religiosa, ou outra qualquer. Ela está na origem da maior parte dos conflitos por esse mundo fora. É, portanto, um inimigo público a abater. Ainda bem que Lisboa é uma cidade tolerante. Não sei se posso dizer que somos um País tolerante, basta ver as rivalidades (ódios, se virmos a coisa em termos de futebol...) entre o Norte e o Sul. Mas há piores... Com esta espécie de intoleranciazitas ainda podemos conviver, desde que não voltemos a ser assolados por outras...