sábado, 21 de Novembro de 2009

O Sonho Comanda a Vida

A minha vida é sonho e sempre será. Nunca, mas nunca vou deixar de sonhar. Quando eu já não sonhar, já não serei eu. Já lá vão 35 e continuo a sonhar...

Pedra Filosofal, António Gedeão

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.



Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Pausa

Estou e estarei numa pausa das blogagens. Estou com um trabalho de tradução em mãos que me tira todo o tempo extra e não me permite blogar. Também ando um bocadinho sem vontade. Visitarei os vossos cantinhos de vez em quando para matar saudades, mas acho que por agora preciso de desligar um pouco.

Peak District National Park - Inglaterra

Fiquem bem e façam o favor de ser felizes...

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Mais uma experiência culinária

Desta vez aventurei-me na culinária brasileira, com os famosos pães de queijo. Claro que para um brasileiro deve ser a coisa mais simples do mundo e não deve ser nenhuma aventura, mas para mim, com pouca experiência na cozinha e com nenhuma experiência com esta farinha de mandioca a que chamam polvilho azedo, foi uma bela aventura.

Segui a receita que vinha na embalagem de polvilho, que pecava por ser muito simples e básica. A meio da confecção lá tive que fazer uma chamada de emergência para a minha irmã que já fez esta receitas algumas vezes e lá me acalmou. Estava um bocadinho assustada com aquela consistência de borracha que a massa estava a ganhar.


Ingredientes:
500 gr de polvilho azedo
2 chávenas de leite
1 chávena de óleo
4 ovos
2 chávenas de queijo ralado
sal a gosto

O queijo que deve ser utilizado é o Queijo Minas, da Região de Minas Gerais, mas como não consegui encontrar esse queijo por aqui, usei o queijo Manchego, um queijo espanhol, que alguns blogs dizem ser o mais parecido com o queijo minas que podemos encontar por aqui.

Modo de fazer:

1 - Ferver o leite com o óleo e o sal, e escaldar o polvilho

2 -Deixar arrefecer

3 - Acrescentar os outros ingredientes e amassar bem

4 - Fazer bolinhas e cozer em forno quente

Como podem ver a receita que vem na embalagem é muito básica e no meio senti-me um pouco perdida, uma vez que nunca tinha trabalhado com esta farinha. Mas acabei por me divertir imenso a amassar aquela massa com consistência tão diferente do que eu estou habituada.

A receita não falava em tempo de cozedura. Como podem ver pelas fotos uns pãezinhos ficaram mais caídinhos e outros mais levantadinhos. Gostei mais daqueles mais amachucados e caídinhos, estavam uma delícia. Os outros também estavam bons, mas fiquei com a impressão que cozeram demais.

Cada vez estou com mais vontade de experimentar coisas novas na cozinha e esta experiência até nem correu mal. Não ficaram uns verdadeiros pães de queijo mineiros, mas os pãezinhos luso-brasileiros com um toque espanhol que resultaram da experiência também não desiludiram.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Hoje é dia de magusto


Hoje é dia de S. Martinho, logo é dia de magusto, uma das tradições que eu mais gosto de cumprir.

São Martinho é patrono dos alfaiates, dos cavaleiros, dos produtores de vinho e dos pedintes. É por esta última faceta que o santo é mais celebrado, pois sempre lembramos a famosa história em que o santo partilhou a sua capa com um mendigo numa noite de temporal. Como também é patrono dos produtores de vinho não podíamos deixar de celebrar este dia com o néctar da uva!


A tradição em todo o país é beber o vinho ou a jeropiga a acompanhar as castanhas assadas, conforme referem os provérbios populares:

No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho

Pelo S. Martinho, castanhas assadas, pão e vinho

Como sempre, o que mais me atrai nestas festividades é a fusão do sagrado e do profano. A ligação da cultura agrícola à cultura religiosa. Na altura do ano em que se enchem as pipas e em que as castanhas estão prontas a comer, celebra-se o Santo e celebra-se o vinho novo e a fartura de castanhas, fruto que foi em tempos a base da nossa alimentação em boa parte do nosso território.

Em minha casa sempre houve magusto. A minha mãe, como boa beirã que é, nunca deixou morrer essa tradição. Já tive a oportunidade também de passar um S. Martinho na aldeia da minha mãe, onde estas tradições são vividas de forma comunitária, o que as torna muito mais ricas e divertidas.

Aqui em Lisboa, também se fazem magustos nas escolas, mas tirando isso, devem ser poucos os magustos comunitários. Cada família faz o seu magusto privativo na sua própria casa. Aqui não vai faltar um copinho de jeropiga e umas boas castanhas assadas, ou não fosse hoje dia de S. Martinho.

E não faltou mesmo! Enchi a barriga de castanhas assadas e de jeropiga!

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Babel de mil línguas

Nas últimas duas décadas Portugal passou de um país que enviava emigrantes para todos os cantos do mundo para um país que recebe imigrantes de todos os cantos do mundo. Não é que os portugueses tenham perdido o desejo de evasão e não continuem a sair do país, mas agora de maneira diferente, já não se trata de emigração em massa, como ocorria anteriormente.

Lisboa, principalmente a zona central do Martim Moniz e arredores, é hoje uma cidade cheia de gente de outras terras, África, Brasil, China, Índia, Paquistão, Ucrânia e outros países do leste europeu, que povoam a cidade com as suas diferentes formas de falar português ou com as suas línguas estranhas para a maioria de nós. Ouvimos no metro, na rua, em todo o lado estas novas línguas e começamos também a vê-las escritas por aí.
Como eu tenho um fascínio por línguas tenho andado atenta a esse fenómeno e captei alguns exemplos da Lisboa de hoje, Babel de mil línguas.

Russo (ou algo parecido)

Paquistão, Índia??

...?

Chinês

Já agora, se alguem tiver uma sugestão acerca das línguas que não consigo identificar, podem dar à vontade, porque estou cheia de curiosidade. Espero não ter postado nada indecente, hihihi... é que não percebo absolutamente nada do que está escrito nas fotos!

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

O Tempo e o Vento

Fiquei maravilhada com a escrita de Erico Verissimo, neste fabuloso O Tempo e o Vento. Este épico está dividido em três partes, O Continente, O Retrato e O Arquipélago. Apenas li o primeiro, O Continente, mas fiquei apaixonada por esta narrativa intensa, que conta a história da família Terra Cambará ao mesmo tempo que conta a história do Rio Grande do Sul, o estado mais a sul do Brasil.


Eu adoro um livro com árvore genealógica, fico logo motivada para a leitura. Há qualquer coisa nas sagas familiares que me prendem a atenção e me fascinam. E este livro tem uma grande árvore genealógica, sem a qual o leitor estaria completamente perdido, uma vez que a narrativa não segue a ordem cronológica dos acontecimentos, sendo formada por uma série de analepses.


Ruína jesuíta de S. Miguel das Missões

Como já disse, o livro aborda temas da história do Rio Grande do Sul, como os primeiros missionários jesuítas, a expulsão (e consequente sofrimento e muitas mortes) de um grande número de índios dessas missões para outros territórios devido a um acordo entre Portugal e Espanha (que punham e dispunham de terras e gentes), as ondas de imigração açoriana, alemã e italiana, e as guerras civis, mais conhecidas como Revolução Farroupilha e Revolução Federalista.

Quadro de José Wasth Rodrigues que retrata a Revolução Farroupilha

Em vez de colocar um excerto do livro, resolvi colocar um excerto do Prefácio de Maria Lúcia Lepecki, com o qual me identifiquei. Para quem não sabe Mª Lúcia Lepecki é uma professora universitária brasileira, de Minas Gerais, que vive e trabalha em Portugal há muitos anos, tendo inclusivamente sido professora da minha irmã na faculdade.

"Uma pessoa duvida da própria sensatez. Como prefaciar trilogia cujas 2348 páginas cobrem 200 anos (1745-1945), da história de uma família, os Terra Cambará, enquadrada em extensíssima galeria de personagens, todas elas pulsantes de vida? Uma pessoa duvida mais, se se lembrar de que nos três volumes de O Tempo e o Vento viu também um quadro da História do Rio Grande do Sul e, ricochete previsível, da História do Brasil durante dois séculos. Por cima disso, uma pessoa sabe perfeitamente que O Tempo e o Vento encontra escrita de extraordinária beleza, sem ponta de paralelo na restante obra de Verissimo e com muitíssimo poucas parecenças nas literaturas portuguesa e brasileira. Essa escrita, cujos meandros levei anos a discernir, garante um fôlego narrativo que tem, ao arrepio do que mandaria a lógica, três puras naturezas: a épica, a romanesca e a mítica. Caso para dizer: não há quem resista. Por isso acredito piamente que, tal como eu, o leitor amará apaixonadamente este livro e, por causa dele, carregará no coração o Rio Grande do Sul. Mesmo que, também tal como eu, nunca lá tenha posto os pés…"

Leiam e apaixonem-se.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Stª Engrácia e um desafio

Já todos devem ter ouvido, ou até usado, a expressão "obras de Stª Engrácia", utilizada normalmente quando uma obra demora mais do que o tempo previsto e às vezes parece não ter fim. Eu até já tinha usado muitas vezes mas não sabia que estava associada à Igreja de Sta Engrácia, que funciona actualmente como o Panteão Nacional. As obras de construção da igreja começaram em 1640 e devido a vários revezes, só terminaram no início do século XX!!! Daí a expressão estar tão enraízada na nossa língua. Pelo menos aqui em Lisboa.

Apesar de ter vivido toda a vida em Lisboa, nunca tinha visitado o Panteão Nacional. Acontece muito as pessoas saírem do país para visitarem os monumentos estrangeiros e não conhecer os do seu próprio país, não é?

Mas, desta vez, como estava lá uma exposição sobre a Amália, foi mais um incentivo para visitar este monumento imponente.




Pormenor da Exposição sobre Amália Rodrigues

Gostei muito, tanto do edifício do Panteão como da exposição da Amália, que achei bastante interessante, retratanto todas as fases da sua carreira. Não resisti a tirar uma foto aos sapatinhos Versace :)


Mudando de assunto, a amiga Beth do blog Mãe Gaia passou-me um selinho (ou meme, como chamam no Brasil ) e um desafio que consiste em definir oito características da pessoa que o recebe e passar para mais oito pessoas. Eu não vou passar para ninguém em especial, mas se quiserem responder estão à vontade.

A minha primeira ideia era optar só por características positivas e deixar as negativas no segredo dos deuses, mas não consegui reunir oito características positivas, hihi e tive que apelar para algumas menos boas… Assim, sou:

Trabalhadora – Sincera – Amiga – Frontal – Sonhadora - Stressada – Teimosa – Complexa

E por hoje é tudo. A minha vida está uma confusão, muito trabalho, muita preocupação, mas tudo vai passsar, tudo vai melhorar e espero nos próximos tempos ter mais tempo para postar e visitar os vossos blogs.