...é Dia de Portugal...

...de Camões...

... e das Comunidades Portuguesas.
Pois é, hoje é o nosso dia nacional e não quis deixar esta data em branco.
Dei largas à minha veia de historiadora e de politóloga e deu nisto:
Em 1128, D. Afonso Henriques assume o comando do Condado Portucalense. Mas só em 1179, o Papa Alexandre III aceitou D. Afonso Henriques como rei e o território do anterior Condado Portucalense como Reino de Portugal. Portugal é assim o país mais antigo da Europa, com isto queremos dizer que é o único país da Europa que estabeleceu as suas fronteiras definitivas em 1267 e que manteve essas fronteiras até hoje (pronto Olivença, não conta!). Feito único nesta Europa que ainda recentemente criou novas fronteiras.
Temos portanto uma história muito antiga como país. Fizemos coisas das quais nos envergonhamos, fizemos coisas das quais nos orgulhamos. E hoje parece-me que a auto-estima da nação está muito em baixo. Só quando olhamos para o passado sentimos orgulho do nosso país. Todos nos dizem que temos que construir hoje um Portugal do qual nos podemos orgulhar. Dizem-no os políticos, dizem-no os filósofos, dizem-no os intelectuais. Mas ninguém passa da ideia à prática. Enquanto não se investir a sério na educação e formação profissional da população e enquanto não se investir a sério na recuperação do património histórico, cultural e natural não se dá a volta aos problemas económicos e não seremos o país que todos nós queremos ser. Falta construir uma base de estabilidade forte. Às vezes tenho a sensação que estamos sobre areias movediças, que nos faltam os alicerces para construir neste país a sociedade que merecemos.
De que nos serve termos sido durante um curto período da história uma potência mundial se hoje não se vive bem em Portugal, se as populações estão descontentes, se há uma enorme descrença nas capacidades da classe política para resolver os problemas?
Eu tenho muito orgulho de alguns períodos da nossa história. Agora que estamos a apurar as 7 maravilhas de origem portuguesa no mundo, fico maravilhada ao descobrir as maravilhas que construímos por esse mundo fora. Mas também quero ter orgulho do meu país no presente, na forma como se vive no meu país no presente. Queria uma sociedade mais igualitária, mais próspera, um património examplarmente preservado, uma natureza preservada e respeitada. E infelizmente ainda não tenho.
Bem, não quero acabar com uma nota de pessimismo, por isso confesso que tenho esperança que isto ainda vai lá! Nós temos muitas capacidades, temos muitas possibilidades em aberto e temos uma bela matéria prima, o nosso lindo país e o nosso povo.
Para terminar vou colocar aqui um soneto do nosso poeta renascentista, pois hoje é também o seu dia:
Tanto de meu estado me acho incerto,
que em vivo ardor tremendo estou de frio;
sem causa, juntamente choro e rio,
o mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
da alma um fogo me sai, da vista um rio;
agora espero, agora desconfio,
agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando,
num'hora acho mil anos, e é de jeito
que em mil anos não posso achar um'hora.
Se me pergunta alguém porque assi ando,
respondo que não sei; porém suspeito
que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís Vaz de Camões, 1525-1580