terça-feira, 11 de agosto de 2009

Casar = perder personalidade própria?


A Luciana, sempre a lançar temas interessantes no seu blog, inspirou-me a escrever sobre um tema que me põe os cabelos em pé. Felizmente, a Luciana é uma mulher que pensa por ela própria e que não deixou que isso mudasse depois do seu casamento. Mas nem todas as mulheres são assim. O que eu mais vejo por aí são mulheres que se anulam completamente depois do casamento.

Eu não sei o que lhes passa na cabeça no dia do matrimónio, mas elas transfiguram-se do dia para a noite e deixam de ser indivíduos que tratam da sua vida para passar a ser mulheres que não fazem imensas coisas que gostariam de fazer porque simplesmente o marido não gosta, ou não aprova, ou fica amuado e elas têm sempre que fazer as vontades todas aos seus maridos, mesmo que isso implique anular-se completamente como pessoa e passar apenas a ser a mulher de fulano.

É óbvio que numa relação temos que fazer cedências. Mas tem que haver cedências de ambas as partes e o que eu vejo são as mulheres a cederem em tudo para que os seus maridos não tenham que ceder nem um milímetro.

Um caso flagrante que até me arrepia os cabelos e me põe doente é o de uma amiga minha que deixou de sair com as suas amigas solteiras porque o seu marido não gosta. Ele acha que ela só deve relacionar-se com mulheres casadas e fica zangadíssimo quando ela sai com uma de nós ou até quando fala ao telefone connosco. Pergunto-me: do que é que ele terá medo? Será que tem medo que as amigas solteiras da sua mulher, (que óbviamente só podem ser umas depravadas senão eram mulheres casadas e honestas!!!) a levem para maus caminhos? Ou será que tem medo que ela fique com inveja da vida das amigas? Não sei. Só sei que em Portugal existem ainda muitos homens retrógrados escondidos por trás de uma fachada de homem moderninho. Só são moderninhos antes de casar, depois viajam no tempo até à época vitoriana e levam as suas mulheres com eles.

A mim o que me preocupa é que mulheres que antes eram independentes se sujeitem a estes disparates. Eu sei que cada uma leva a vida como quer, e se querem ser estupidamente submissas, sejam. Se querem anular-se como pessoas, estejam à vontade. Mas não me peçam é para andar a sair às escondidas dos maridos como se eu estivesse a cometer um grande pecado.

Andaram as mulheres a queimar sutiãs para isto!!! Haja paciência!

9 comentários:

Dani disse...

Haha! Haja. Tenho uma amiga que se anulou, mudou de país e tudo. Quando vai ao Brasil sozinha em Dezembro, tem de voltar antes do dia 25 para passar o Natal com a família dele - oras, ela já passa os outros dias do ano lá. E também mudou de religião, tornando-se fervorosa. Mas o sonho dela sempre foi casar-se, ela parece feliz na fachada. Mas sei que não é bem assim. Antes era independente, descolada, enfim. Cada qual com as suas escolhas. No caso da sua amiga, há o fator medo, e isso acho que já passa dos limites. Porque é subjugação, não anulação.
Graças a Deus nunca tive parceiro assim. E espero que assim continue.
Beijinhos!

Maldonado disse...

Subscrevo inteiramente o teu post.

1. "Só são moderninhos antes de casar, depois viajam no tempo até à época vitoriana e levam as suas mulheres com eles."

Eu diria antes que viajam até à época medieval...

2. De facto essa auto-anulação feminina é resultante dos arquétipos patriarcais dominantes na nossa cultura latina.
Num casamento onde a mulher ganha mais que o homem, essa auto-anulação é maior, pois o marido compensa o seu complexo de inferioridade com a coacção moral, e nos piores casos, com a coacção física.

3. O caso que citaste revela a típica mentalidade dos homens tugas, tenham eles muita ou pouca escolaridade.

4. A pressão social é maior nas mulheres, as quais ainda vêem o casamento como um fim existencial.
Em certo sentido a maioria ainda se casa para ganhar respeitabilidade e para se libertar da tutela familiar.
Obviamente que cada caso é um caso...

Heloísa disse...

Isabel,
Eu achei demais esse caso que você relatou. Nossa, é uma coisa antiga demais.
Por aqui esse comportamento masculino, de impedir amizades da mulher, acho que só existia nas primeiras décadas do século passado. Pelo menos eu desconheço casos assim.
Beijo.

Cláudia M. disse...

É mesmo de pôr os cabelos em pé!

essa pessoa de quem falas, que eu tb conheço, é um caso flagrante e inacreditável: uma "miúda" de 30 e poucos anos deixar-se levar numa cena triste dessas, só visto mesmo! E na minha opinião, a culpa até é mais dela, que não se soube impor a tempo.
Mas há uma situação idêntica, que se vê mto nos blogs, que tb para mim é incrível, aliás tinha planeado falar sobre isso: "ai, eu adoro essa comida, MAS COMO O "MARIDINHO" NÃO GOSTA, EU NUNCA FAÇO."

Como diria a Nana, "OI?? DESCULPE, MINHA SENHORA?????"

QUÉQUÉISSO??

A Heloísa diz que (felizmente) não conhece nenhum caso, mas já vi em mtos blogs brasileiros situações dessas - o marido não gosta que eu faça isto ou aquilo, "não deixa eu fazer" e por aí fora...

Eu fico estupefacta, juro!

Deus lhes perdoe, que não sabem o que fazem...

ameixa seca disse...

O pior são aqueles que nem se escondem atrás da faceta de moderninhos. Mas admite lá, nós solteiras somos umas depravadas que nos andamos a atirar a tudo quanto é homem. Admite que é impossível resistir à atitude machista, egocêntrica e infantil dos homens, verdade? he he
Eu tenho é medo de encontrar um que me leve à anulação. Credo! Eu que tanto prezo a minha individualidade. A minha mãe é que me diz muitas vezes que um dia ainda sou castigada :)

Luciana Håland disse...

Isabel, muito legal o post, adoro esses assuntos, nem preciso dizer o que penso, mas acho que a paixão entra e a razão sai, infelizmente.
Mas sabe que eu tenho observado homens passando por isso também? A mulher impõe e impõe e o pobre coitado tem que ceder, só que acho que no caso da mulher que se anula o processo é mais fácil, o homem nem precisa impor tanto, como no caso que eu contei lá no blog, o cara não impõe nada, ela simplesmente não encontra apoio ou aval nele, ou ele dá uma opinião e aquilo é palavra de rei, e assim ela vai se anulando sem nem ele querer anulá-la.
Olha, nesse caso da menina, coincidente ele é português, eu não disse lá para não identificar o casal, e ela brasileira. Mas ela tá nessa barca da anulacão sozinha, não vi indicios de que ele pitaqueia ou diz pra ela fazer isso ou aquilo, como disse uma menina lá nos comentários, deve ser preguica de ser gente, precisa do apoio ou ajuda dele até pra decidir ver uma novelinha.
Essa da sua amiga que não pode sair com as amigas solteiras porque o marido não quer, é triste demais, e no final, se o casamento não der certo, ela vai estar sozinha porque se afastou das amizades, perde o chão.
Conheco um casal que o marido é que não pode ter amigos solteiros, menos ainda amigas, teve que romper com todos, mas muito a contra gosto dele, tadinho.
Ainda bem que meu casamento é saudável, nem sou de passar relatório pra marido.
Aborde mais temas assim, é um discussão boa e acho que a gente ajuda nem que seja dando uma pequena luz para alguém que está nessa situacão de anulamento.
Beijo

Beth/Lilás disse...

Oi, Isabel!
Tenho visto você sempre lá no blog da Luciana e seu último comentário me fez ter vontade de conhecê-la melhor, pois achei você uma pessoa bacana e bastante 'pé no chão' como se diz aqui no Brasil.
Adorei ler esta primeira página de seu blog e, percebi também que tem uma forma de ver a vida e se integrar nela muito parecida com a minha, apesar de eu ser muito mais velha que você.
Amo Portugal e está na minha mira para conhecer assim que puder. Meu marido esteve aí ano passado em Lisboa e adorou a cidade.
Quanto aos prédios antigos e com beleza arquitetônica largados, acho que isto é um mal da raça, pois aqui no Brasil procede a mesma coisa, nao ligam e deixam acabarem-se. Talvez tenhamos adquirido este pensamento dos irmãos lusos!
Voltarei sempre.
beijos cariocas

Claudia disse...

Isabel,

tem muita gente insegura por aí ainda. Parece peça de Nelson Rodrigues, drama dos anos 1950, quando as pessoas "de bem" não podiam ter amigos "divorciados", ou melhor, "desquitados". Mas essa gente é está cada dia mais rara, me surpreende que você conheça garotas assim, pelo menos eu não conheço ninguém tão "infeliz" assim.

O que me choca hoje em dia são aqueles casais que acham muito bacana viver o chamado "casamento aberto", com vários parceiros... Onde já se viu? E tem amigos meus que entraram nessa. Gente mais desvairada...

Bj,

C.

Isabel disse...

Dani, essa de mudar de religião também é de arrepiar os cabelos!!!Mas sabe que mudar de país nem sempre é uma anulação, pode ser um projecto em comum que o casal tenha, não sei se é o caso da sua amiga.

Maldonado, infelizmente ainda há por aí muitos machos latinos. As mentalidades demoram a mudar! E tens razão a mentalidade das mulheres também tem que mudar, porque se elas aceitam tudo só para ter o estatuto de mulher casada algo está mal.

Heloísa, aqui também não conheço muitos casos assim, só esse mesmo! Mas acho incrível porque ela até era uma mulher independente antes de casar. E ele revelou-se só após o casamento!

Mana, o maridinho manda na vida de muita mulherzinha por aí!

Ameixa, duvido que tu caísses nessa!

Luciana, é verdade, o contrário também acontece. Há homens completamente dominados por suas mulheres. É um tema interessante para discutir também!

Beth, fui espreitar seu blog e gostei muito. Eu sou ecologista também.Somos muito parecidas, sim!

Claudia, há de tudo por aqui! Aquilo que você fala, os casamentos abertos, o "swing", tudo isso é também agora muito comum. Coexistem realidades muito diferentes neste país. Eu acho que o marido desta minha amiga não é deste tempo, mas isso do casamento aberto também não é para mim. Até aceito quem assume essa postura, mas comigo não!

Bjs a todos