segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Recordar a Diva

no 10º aniversário da sua morte.


Até custa a crer que Amália já morreu há dez anos. Como o tempo voa. Mas é bom ver que Portugal não a esqueceu nem vai esquecer tão cedo. Os projectos para celebrar esta efeméride multiplicam-se, sendo o mais interessante, na minha opinião, o projecto Amália Hoje. Magnífico o tema A Gaivota cantado pela poderosa voz de Sónia Tavares (fica para outro post).

Mas aqui fica a original, a única e inigualável Amália. A voz inesquecível duma mulher que sofreu toda a sua vida de uma gravíssima depressão e que se vivesse hoje andaria a tomar anti-depressivos e andaria tão alegre que nunca teria escrito estas palavras amarguradas que com tanto sentimento cantou.

Existe uma tendência muito grande para conotar Amália ao Estado Novo e ao Portugal triste e cinzento do tempo da outra senhora, mas a tristeza de Amália era só dela, vinha-lhe da alma. Não era o espelho de um país, era o espelho do seu coração.




E vocês gostam de Amália? Contem-me coisas.

11 comentários:

Cláudia M. disse...

Eu AMO a Amália, e amo particularmente essa canção, aliás é a minha cara :)
(Ainda bem que a m/ net tá maluca e não me deixa ouvi-la, senão havia inundação pela certa...)

É a voz mais maravilhosa que já existiu neste país, sem dúvidas!! Qdo eu "era nova", achava o Fado uma música foleira, de velhos, etc., puro preconceito típico da adolescência, juventude, mas tb típico de uma certa camada da n/ sociedade que continua a conotar o Fado com certas tendências políticas. Acho que não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra.
Para mim, a voz da Amália é emoção em estado puro!

Heloísa disse...

Isabel,
Imagino a importância de Amália para Portugal, e fico contente em saber que ela é e está sendo muito celebrada.
Acho lindas suas interpretações, e achei muito interessante sua referência à depressão.
Beijo.

ameixa seca disse...

Não só Amália mas o Fado!
Não merece ser recordada apenas nos aniversários de morte porque a Amália continua viva e, como Variações disse: "Todos nós temos Amália na voz" e, acrescento, no coração e na imensa alma portuguesa. Não é preciso ser-se triste nem depressivo para se gostar de Fado. Eu sou uma verdadeira possuída que encontra no Fado a mais bela expressão da língua portuguesa e, não ando a chorar pelos cantos. Só o faço quando o gato me cai ao poço he he

Gosto de muitos fados dela, a Gaivota é um deles mas não é o meu preferido! Talvez sejam uns dos mais desconhecidos os meu favoritos :)

Isabel disse...

Mana, concordo contigo, a política não é para aqui chamada. Amália é superior a tudo isso, é a voz de todos nós.

Heloísa, ela é e será sempre a nossa diva.

Ameixinha, concordo contigo. O fado não é necessariamente triste, é nostálgico e mágico.

Dani disse...

Fado é algo que sempre remete à minha mãe e às minhas tias. Não consigo ouvir sem chorar, nunca fui a uma casa de fado porque sei que vou dar vexame.
Olha, quando eu morava (espero que este tempo verbal mude logo-logo!) no Porto, ia a um internet café quase todos os dias, e lá também ia um senhor que passava o dia inteiro a editar fotos no Photoshop. Sempre achei aquilo estranho, um dia comentei com um dos meninos do café e ele me contou que o tal senhor era poeta e compositor de alguns fados da Amália ;-)

Beijos

Liliana disse...

Acho que o Fado é daquelas coisas que só aprendemos a apreciar com a idade. Como um bom vinho ou um bom prato.
Para mim, gostar de Fado é gostar da Amália, porque ela foi e é única e ninguém poderá alguma vez ocupar o lugar que ela conquistou. Haverá quem se aproxime, mas ninguém que o consiga totalmente.
Discordo, no entanto, quando dizes que a tristeza de Amália era apenas dela. A meu ver, Amália cantava singularmente a tristeza de todo um povo, que ela tão bem soube representar. As mágoas e dores eram dela e de todos nós. Afinal, somos um povo por natureza melancólico...
Gosto de Amália, porque gosto de Fado e Amália é o Fado.
Beijinhos

Isabel disse...

Dani,
alguns fados da Amália também me fazem chorar. A interpretação é tão profunda que parece que vem das entranhas. Mexe mesmo com as pessoas com sensibilidade para o fado.
Pelo visto tens planos para regressar, espero que sim!
Bjs

Liliana,
também concordo que é um gosto que se ganha com a idade. Quando era adolescente passava-me completamente ao lado.
Claro que todo o fado é nostálgico, mas não tem que ser necessariamente uma canção de sofrimento e acho que as interpretações da Amália eram mais desesperadas, amarguradas e era uma coisa muito profunda dela que ela transmitia.
Não concordo que os portugueses sejam todos melancólicos, conheço portugueses sem ponta de melancolia e ainda bem. Não gosto que pensem em nós como um povo triste. Não devemos generalizar. Apesar de eu ser daquelas bem melancólicas, eu não represento o meu povo. Cada ser humano é único.
Bjs

Noémia disse...

Bom já só cá faltava eu!
Já sei que me vão deitar fogo, mas eu não gosto de fado.
Não quero com isto dizer que não gosto da Amália, não. Acho que a Amália foi uma excelente artista, o nosso expoente máximo no género, tinha uma voz fabulosa e adorava ver como conquistava qualquer plateia.Mas fado, não sou apreciadora, " prontos"!
Ouço alguns com muito prazer, algumas fadistas têm a minha admiração...mas, prefiro fado de Coimbra, dos estudantes e das tunas, do que o outro!
E atenção que não conoto nem o fado nem a Amália com regime nenhum.
Estou perdoada?:)

Isabel disse...

Minha querida Noémia, claro que estás perdoada.
Liberdade de expressão acima de tudo!
Beijinhos

Claudia disse...

Eu adoro a Amália Rodrigues, sempre gostei desde que minha avó, depois meu pai, colocavam ela para cantar lá em casa. Fado é uma músico muito linda.

C.

Isabel disse...

Cláudia,
Agora percebo porque você compreende bem a alma lusa.
Bjs